MARCELO BACKES é escritor, tradutor, professor e crítico literário; mestre em Literatura Brasileira pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e doutor em Germanística e Romanística pela Universidade de Freiburg, na Alemanha.

Natural de Campina das Missões, Backes morou em Porto Alegre de 1991 a 1999, quando mudou-se para a Alemanha, depois de receber uma bolsa do DAAD (Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico). Lá doutorou-se em Germanística e Romanística pela Albert-Ludwigs-Universität de Freiburg, uma das mais antigas e tradicionais da Alemanha, a mesma em que Heidegger um dia foi reitor. Além da tese sobre Heinrich Heine, fez seu Rigorosum – a prova de conclusão do Doutorado na Alemanha – sobre Machado de Assis, Guimarães Rosa, Ricardo Piglia e Teoria da Tradução no âmbito da Romanística; sobre o Aforismo (gênero literário), Thomas Bernhard (autor) e a Literatura Alemã Contemporânea (período literário) no âmbito da Germanística.

Marcelo Backes é membro do Conselho Editorial da revista Margem esquerda, foi supervisor editorial das obras de Karl Marx e Friedrich Engels pela Boitempo Editorial e é colaborador de vários jornais e revistas no Brasil inteiro.

Backes já conferenciou nas Universidades de Viena, de Hamburgo e de Freiburg, em Berlim, em Frankfurt e em Leipzig, no Rio de Janeiro, em São Paulo e Porto Alegre, debatendo temas das literaturas alemã e brasileira, da crítica literária e da tradução, na companhia de nomes como Rolf G. Renner, José Antônio Pasta Jr., Bóris Schnaiderman, João Alexandre Babosa e Armindo Trevisan. Em 1998, Backes organizou um livro sobre o escritor, dramaturgo e poeta alemão Bertolt Brecht, para a série “Porto & Vírgula” da Secretaria Municipal da Cultura de Porto Alegre. O livro reuniu textos de Roberto Schwarz, José Antônio Pasta Jr., Willi Bolle e Gerd Bornheim, entre outros.

Autor de A arte do combate (Boitempo Editorial, 2003), Backes prefaciou e organizou mais de duas dezenas de livros e traduziu – na maior parte das vezes em edições comentadas – mais de uma dúzia de clássicos alemães, entre eles obras de Goethe, Schiller, Heine, Marx, Kafka, Arthur Schnitzler e Bertolt Brecht.

Ultimamente, tem se ocupado muito com autores alemães mais jovens, como Ingo Schulze, Juli Zeh, Saša Stanišić e Thomas Brussig, entre outros. Mais que traduzir, Backes apresenta esses autores a editoras brasileiras, depois traduz suas obras e as comenta em posfácios e glossários, bem como em textos jornalísticos e cursos de literatura.

Marcelo Backes faz curadorias de literatura em instituições como a Escola da Magistratura do Rio de Janeiro (Cultural EMERJ) e dá aulas em instituições de excelência como a Casa do Saber. Em matéria intitulada “Um novo mercado para os professores”, do Jornal O Globo de 24 de agosto de 2007, Marcelo Backes é destacado como um dos professores de cursos livres mais procurados do Rio de Janeiro, ao lado de nomes como os do filósofo Roberto Machado e do poeta Ferreira Gullar. Atua em júris literários, tanto no Brasil quanto no Alemanha.

Backes foi um dos 13 tradutores de alemão do mundo inteiro convidados a participar da Academia de Verão para Tradutores de Alemão em Berlim, no mês de agosto de 2004. Entre 2003 e 2005, Backes foi professor na Albert-Ludwigs-Universität em Freiburg, onde lecionou Tradução e Literatura Brasileira e em 2008 - curiosum - corrigiu provas em caráter oficial e participou de comissão avaliadora de prova de tradução na Universidade de Reiquiavique, na Islândia. Entre fevereiro e março de 2007 trabalhou pela primeira vez na Academia Européia de Tradutores, em Straelen, lugar para o qual volta com freqüência. Em março de 2007, participou do maior congresso de tradutores do alemão já realizado, em Berlim, no lcb (Literarisches Colloquium Berlin), lugar que por fim o recebeu na condição de autor em janeiro de 2008, com bolsa do Ministério das Relações Exteriores da Alemanha.

Em 2004, Backes organizou – junto com Rolf G. Renner –, traduziu e comentou sozinho Escombros e caprichos: o melhor do conto alemão no século 20 reunindo, ao todo, 54 contos de 54 diferentes autores. Sua tese de doutorado, sobre o poeta alemão Heinrich Heine (Lazarus über sich selbst: Heinrich Heine als Essayist in Versen) foi publicada em 2005, na Alemanha. Em 2006, publicou Estilhaços: minigâncias-digressões-e-batocaços pela Editora Record. Em 2007 a mesma Record publicou seu romance de viagens maisquememória. O romance foi aclamado como um dos grandes lançamentos de 2007 em diversas listas jornalísticas e blogueiras.

Backes tem textos publicados na França, na Alemanha e na Espanha. Em seu número 147, a prestigiosa revista alemã Humboldt tematiza a cidade e, além de textos de escritores como Antonio Skármeta e Bodo Kirchhoff, e de cineastas como Wim Wenders e Tom Tykwer, traz dois trechos do romance maisquememória de Backes. Também a revista espanhola Álora publicou um epigrama manuscrito de Backes, tirado de maisquememória e vertido à língua de Cervantes pelo célebre tradutor José Luis Reina Palazón, Prêmio Nacional de Tradução na Espanha.