III

 

 

 

 

ANDREAS

GRYPHIUS

 

 

 

6

 

 

A Celer, o poeta

Oh, e tu te gabas de fazer cem versos

Enquanto me esfalfo fazendo três!

Ora, o carvalho demora séculos,

A abóbora cresce em menos de um mês.

 

A Bavium

Bav se gaba

De que o mundo inteiro lê suas linhas,

Bav pensa que

O mundo são duas cidades vizinhas.

 

 

COMENTÁRIO

Andreas GRYPHIUS (1616-1664) foi o principal representante da literatura barroca alemã. Autor de sonetos, odes, tragédias e comédias, Gryphius expressou-se sempre com altissonância.

Filho de um pastor luterano, Gryphius perdeu o pai aos cinco anos e a mãe aos onze. Foi educado no catolicismo e estudou em Görlitz. Aos 17 anos entrou na universidade, em Danzig, e depois passou a trabalhar na condição de preceptor no castelo silesiano do Conde de Schönborn.

Junto aos filhos de seu senhor, viajou pela Europa inteira. Em Leiden, na Holanda, permaneceu durante alguns anos, aproveitando a intensa vida universitária da cidade e atuando na condição de professor. Foi em Leiden que Gryphius publicou suas primeiras odes, em 1643, e – no mesmo ano – seus primeiros epigramas.

Depois de conhecer Corneille e Molière em Paris e o fulgor da ópera na Itália, Gryphius voltou à pátria alemã. Cardênio e Celinde é a sua obra-prima teatral. Ao mesmo tempo em que apresenta todos os fundamentos e conquistas da época, a peça já anuncia alguns elementos típicos da tragédia burguesa – estabelecida por Lessing –, transcendendo o barroco e caracterizando-se como uma de suas peças menos convencionais e mais surpreendentes.

Além do drama, Gryphius também se destacaria no soneto alexandrino, na ode – de feição pindárica – e no epigrama.

Os epigramas aqui traduzidos, mostram um autor um pouco distante da atividade eminentemente cristã – é incontável o número de seus poemas ao nascimento, vida, morte e ressureição de Jesus Cristo, bem como a constância da temática evangélica e cristã – e de repente agressivo e combativo ao tratar de seus adversários.

Com seus epigramas, Gryphius prova que Opitz – o pai da escola silesiana à qual ele também pertencia – tinha toda a razão do mundo ao apelidar o gênero de “sátira curta”.

O caráter eterno e universal dos epigramas de Gryphius fica provado na medida em que no distante Rio Grande do Sul de hoje, por exemplo, há um poeta mundial – no sentido “baviano” da palavra – em cada esquina. Ora, poetas! Eles dão mais do que abóbora em roça nova...